Mensagem
EU POSSO FALAR de um amanhã, de uma aurora, de um sentido para o nosso sofrer de hoje, mas para me ouvir vai ser preciso uma dor autêntica, uma dor sem voz, perplexidade incapaz de militâncias, impotente para despertar o frenesi da massa, pois é a dor dos destruídos. Só a dor que cala pode confiar nesse amanhecer. A histeria que grita para abafar a consciência dos próprios crimes ou o silêncio que não dói porque recusa a empatia, o compreender, esse silêncio de mesquinhez e suspeição, esse silêncio de quem evita leprosos, esse não há de me entender, esse não sabe se é dia ou noite e não se importa. Esse não precisa de aurora. Nem o que berra e destrói nem o que recusa saber.
EU VIM PARA o que não fechou os olhos e por isso já não tem lágrimas. A esperança que desejo partilhar é para o que vai aos poucos se recuperando da porrada, a que recebeu em cheio ou a que não consegue impedir que entre pela porta aberta por onde circula a vida em despertar, a condição humana, a responsabilidade de ser filho de D'us. A minha mensagem é para os que não se furtaram a ver e ouvir, e para os que não puderam escapar de ver e ouvir. Os que recebemos na face a segunda e a terceira ondas dessa devastação. Pois aqueles que experimentaram a primeira, esses foram despedaçados em vida, queimados, degolados, humilhados, estuprados num martírio de sadismo sem sentido, um sadismo que hoje não se envergonha em vitimizar-se. E nisso recebe o louvor dos que rechaçam a dor, o anuir tácito dos cegos que não distinguem as auroras dos ocasos. Os que se embruteceram na surdez.
Existe um amanhã. Um mundo em formação, um parto em andamento. A nós, atônitos, venho dizer: existe verdade, existe bem e mal, crime e castigo; há UM Criador, há Juiz e justiça, há Ordem e Projeto, um Plano se desdobra. A nossa perplexidade ou o desesperar de muitos, isso é o Próprio Criador, exigindo o Seu espaço em nós. Nada retenhamos, nada conservemos: em silêncio entreguemos nossos destinos ao Criador e sigamos construindo.
D'us é.
E todo aquele que, em meio à dor, se levanta para reunir as forças num murmúrio "Eu Sou", este se acha em diálogo com o Eterno.
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Este escrevinhador se reserva o direito de detonar comensafada safados. Você é suficientemente grandidnho para ponderar com sensatez e não me vir com besteiras do tipo "criancinha coitada" etc. Não me irrite.