Ele voltou

ENQUANTO A MICROSCOPIA política local procurava, lupa na mão, por "células nazistas" a fim de dar consistência ao desajeitado conspiracionismo careca de 8 de janeiro (paródia lulista do Plano Cohen, já que a história se repete como farsa), gigantescos nazismos multicelulares punham-se a urrar, mundo afora. O mote? O de sempre, ódio ao judeu. Aberto, sem censura, sem meias-palavras, sem se ocultar na duvidosa santidade de um "anti-sionismo".

Ele voltou, o antissemitismo voltou à moda.

Paris amanhece com residências e comércios judeus assinalados com a estrela de seis pontas. Numa localidade em Illinois (EUA), judeus que deixavam uma manifestação pró-Israel foram linchados. No Daguestão, fim-de-mundo remanescente da União Soviética, ainda sob o tacão russo, um pogrom em regra foi encenado, quando multidões aos berros de Allah Wakbar (Alá é Grande) caçavam judeus por vários pontos da capital, o aeroporto inclusive. Os furiosos devotos da judeofobia islâmica, contidos pela repressão russa, se transformaram em "ucranianos" na versão oficial da ditadura Putin.

Varrida por décadas para sob o tapete da correção política do jornalismo e dos governos, além do temor da pecha de islamofobia, a onda antijudaica das duas últimas décadas assume proporções de um tsunami. O estopim foi a barbárie perpetrada pelo governo islâmico de Gaza (o terrorista Hamas), monstruosidade apenas comparável à ação dos grupos de extermínio nazistas no Leste da Europa. O frenesi islâmico de degolas, estupros, queima de gente ainda viva, morticínio de pais diante dos filhos, sequestros em massa parece ter posto abaixo o véu de vergonha que ainda encobria o antissemitismo. Na esteira do 7 de outubro, caíram as máscaras. Governos, partidos e segmentos sociais proclamam abertamente o ódio aos judeus como necessário à paz mundial. 

Odiar judeu entrou na agenda da segurança pública. Na Europa, governos tentam em vão punir o crime perpetrado em massa, há anos conhecido pelos judeus, mas cuidadosamente camuflado nas estatísticas. Já não mais. O que parece ter explodido não passa da institucionalização de um hábito terrivelmente banal em várias regiões: ostentar ódio a judeu.

Ele voltou.


━━━━━━━━━━━
Miguel Fernandes

Direitos reservados.
Permitida a cópia, desde que citada e indicada por hiperligação esta fonte.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Israel nunca esteve tão bem

CSW - Los10 peores incidentes antisemitas de 2023