Judeus e Persas
ALGUNS JÁ NOTARAM minha nova mania: articular judeus e persas. Não que seja novidade; é quase lugar-comum. E isso me preocupa. Sendo informação assimilada, a falta de progresso é preocupante, embora compreensível.
Não nem sombra de um "capital de confiança" contra o qual possa ser sacado o valor de um encontro. Instituicionalmente, as relações entre judeus e persas são desastrosas, há mais de 40 anos, desde que a república islâmica instituiu o ódio oficial aos judeus como princípio. De certa forma, isso recria as relações judaico-persas tal como se puseram, nos últimos séculos. Nem perderei meu tempo descrevendo esse desfile de horrores.
O CASO É QUE judeus e persas compartilham muitos sentimentos resultantes das condições sociais e políticas do Oriente Médio atual. Persas são ou a maioria omissa, descontente ou não; são colaboradores de um dos piores regimes que este mundo já viu ou são -- bem acima das expectativas! -- combatentes ativos pela derrubada desse regime. O persa, portanto, ou é apoiado por razões que ele detesta (por exemplo, socialistas latinos em promiscuidade com a república islâmica) ou recebe uma dose de apoio cercada de desconfianças e alusões a um passado da monarquia marcado por uma repressão política duríssima e muito necessária, como os eventos posteriores vieram tristemente provar. O judeu, por sua vez, se vê frequentemente amado por razões que ele detesta (messianismo escatológico cristão ou truculentas adesões a um sionismo de opereta, de força insensível e brutal, que é mais a fantasia do propaganda árabe do que a realidade de qualquer momento da história israelense) Outro tipo de filossemitismo abomina o sionismo e procura no judeu um "freudismo espiritual" ou qualquer tolice assemellhada. Em vários sentidos, persas e judeus são solitários num mundo que não os compreende ou julga compreendê-lo exatamente pelos motivos que eles detestam.
Se é assim, devem ambos abandonar qualquer expectativa de aproximação conduzida por suas lideranças. Devem, como indivíduos, buscarem-se corajosamente, entre todo o cuidados e prudência exigidos pela selva de ódios e intrigas do nosso tempo.
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- JUDEU, VOCÊ TEM AMIGOS. Não espere que as instituições te digam quem são. Pense por você, olhe à sua volta e poderá perceber o sofrimento de outros povos, pronto a altear-se moralmente acima da própria dor para generosamente abraçar a causa judaica, em apoio generoso. Abrace você a causa dessa gente, construa por si mesmo pontes de diálogo e a luz de Israel há, por si propria, de cumprir a tarefa para a qual o Alto a designou. Na vida, se eu aprendi algo, foi alargar meus horizontes quando os caminhos se monstravam sem sentido, inúteis ou esgotados.
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Miguel Fernandes
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Este escrevinhador se reserva o direito de detonar comensafada safados. Você é suficientemente grandidnho para ponderar com sensatez e não me vir com besteiras do tipo "criancinha coitada" etc. Não me irrite.